quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Então você se acordou.
Olhou para os lados, percebeu que mais alguém dormiu com você, mas não lembrou quem foi, aonde o conheceu, o que fizeram, ou até mesmo se tinhas saído ontem.
Levantastes e escovastes os dentes, deixando a cama como estava.
Chegando na sala, lá estava tua melhor amiga, apenas de camisa e calcinha, dormindo no sofá, com a tv ligada, o cinzeiro ao lado, completamente cheio, e a garrafa de vodka.
Na cozinha, aquele seu amigo homo, de todas as horas, olha pra você e disse "Tás acabada. Mas a noite foi boa. Se é que você consegue lembrar". Falando em lembrar, você sequer se olhou direito no espelho. Ah, o maldito espelho.
Voltas ao banheiro. Vês uma marca aqui, uma ali, no pescoço, e caças mais algumas pelos corpo; Pernas, braços - ontem alguém falou de suas pernas - , voltas ao quarto.
Do outro lado da cama, um bilhete, para a dona das fabulosas pernas. Deves ser tu, não é? Assim esperas. Estranho seria se fosse para outra e estava assim, no teu quarto, na tua cama ao lado.
Ele dizia o seguinte:

"Olá, dona das delicadas pernas que admirei a noite inteira. Não sei se vais lembrar de mim, até porque quase não lembrava de você quando acordei. Nosso encontro foi longo. De repente, sentas no balcão do bar, pedes um drink qualquer, já bêbada, e resmungas alguma coisa. Então olhas pra mim, pergunta se eu tenho maconha, bêbidas, qualquer coisa. Conta que foi demitida mais cedo, que uma semana atrás pegou seu ex-namorado em casa com um gay sadomaso, fazendo sabe-se lá o quê, o qual seu ex admite estar vendo a algumas semanas. Vira o drink num gole só, e pergunta novamente sobre as drogas. Eu continuo olhando, apenas ouvindo seus relatos, até que eu decido conversar. E pra que conversar com um bêbado? Mesmo assim, eu falei. Você ouviu. Nos encaramos. E então fumamos. Aspiramos e nos aquecemos na fumaça mais densa que podíamos, diversas vezes na mesma noite. Então vieram os entorpecentes, mais etílicos, mais fumaça, e fomos embora. Vagamos pela madrugada, tropeçando em tudo e até mesmo em nada. Me levas para tua casa. Me mostras os teus cds prediletos, e ficamos a dançar. E nos beijamos. E eu termino de me apaixonar. Me levas ao seu quarto, te levo à cama. E então, pernas. Pernas, mãos, nucas, contatos. Mais fumaça, e, de novo, o mesmo ciclo. Até sobrar nada, e dormires. Levanto, olho a janela, o bloco de papéis, a caneta, e escrevo. E vou-me. Por medo de ficar, por medo de ter que parar de me apaixonar..."

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