terça-feira, 24 de maio de 2011
Mede-se a tristeza de um homem pelos drinks tomados; pelos copos vazios e garrafas secadas, quando triste. E para os deuses e santos desse novo mundo, a tristeza, o penar, são inadmissíveis, porém eles farão descaso delas. Em morte, a alma logo encontra-se em julgamento, perante as portas do tão aclamado paraíso. Os novos santos descartam as lágrimas derramadas ou criadas, os sorrisos cativados, os momentos de afeto. Na conta, entra apenas o quanto foi gasto em tristeza e se esse gasto foi pago; se a mensalidade da educação das crianças foi devidamente pago; se por acaso ele alienou e permitiu manter-se alienado; se o plano de saúde foi pago, e se ele não o deu muito trabalho; se cumpriu mais deveres do que direitos cobrou; se ele casou com o suposto bom partido, uma futura perua de bairro e se pagou e alimentou aos vícios desnecessários dela, enquanto ouvia ela e suas amigas vestidas iguais, rindo iguais. Se sim, parabéns, a vós as portas do paraíso abrir-se-ão. Caso não, jogar-te-ão a vida real na sua cara, juntamente com o quão miserável és. Não irão presentear-te com a dádiva do sorriso falso, da máscara forjada, da alma escancarada, pendurada no fundo do fundo dum antigo guarda-roupas. Não louvai aos novos deuses e aos novos santos. Conheceis o jogo, suas regras, e jogue apenas pelas beiradas. Ame, cative, se ative, viva poeta. Segure-se de si mesmo, seja doce, adoce. Goze.
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