quarta-feira, 24 de outubro de 2012
Não havia uma chuva mais linda que aquela.
Naturalmente, estava habituado a chuvas. Mas uma como aquela carregava todo um significado especial para ele, o significado comumente dito por várias pessoas:
"Chuvas lavam a alma".
Extasiado, tal qual sua companheira e todas as demais testemunhas silenciosas, a chuva ia caindo, manchando sua tenra roupa branca como o luar, tal qual a roupa de todos os outros presentes, e cada gota que caia nos olhos dos expectadores causava uma levíssima pertubação que passava despercebida ao portador, hipnotizado pela beleza do desabe.
A cidade, fazendo seu papel de cidade, observava a chuva silenciosa e aquém à ela, pois como cidade nunca importava-se muito com os pequenos acontecimentos maravilhosos que ocorriam em seus limites, assim como qualquer outra cidade. Tais acontecimentos eram realmente notados e apreciados por humanos, animais, seres e avatares extra-planares. Mas não as cidades. Não as construções. Ignoravam as belezas pequenas, até as naturais, e serão destruídas por elas em pleno estado de total ignora.
De alma lavada, agarrou sutilmente um pedaço de sua indumentária para limpar sua companheira. A roupa ficou marcada com a cor de vermelho sangue, a mesma que escorria silenciosamente pela sua face. Embainhou sua espada, pegou seu celular do bolso e, pelo seus lábios, soltou um sussurro "... Com gosto", apertando o botão de enviar, e largando o celular a crueldade da gravidade. Saiu andando pelo mar de corpos degolados, cujas cabeças tinham olhos abertos em êxtase, terrificados pela presença amedrontadora de seu assassino.
Finalmente saindo da barreira que erguera no local, num movimento fez desaparecer a barreira que evocara, fazendo desaparecer juntamente todo o conteúdo não habitual que havia dentro dela - decoração, altar, bancos, cadáveres e o celular, cuja mensagem enviada apenas continha o texto "Trabalho concluído".
E, tão rápido quanto fez a barreira desfalecer, desapareceu.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nego, já disse e repito: adoro como escreves. E fiquei encantada com essas palavras. Letra a letra, gota a gota.
ResponderExcluir