domingo, 25 de abril de 2010

Canção des-sossego

Ando pela rua como quem nada quer
Apenas para que, num dia, eu possa sequer
Fazer ouvir minha prosa

Não, não me vejo ali, tão triste,
num copo vazio a jazir numa mesa
vazia qualquer, sem bossa e sem humor.
Meu samba fez-se mudo;
calou-se de súbito

Como num som surdo, provocado
pelo tombo miúdo do vidro
que deixaram escorregar, num dia
tão tardio...

Ah, se meu samba tocar.
Ah, e, com minha prosa, abraçar...
Ah, se de cada vidro quebrado
num abraço, eu tirar uma flor
é essa flor que vai tirar o inchaço
causado pelo embaraço, da falta do cansaço...

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