domingo, 3 de abril de 2011

Subindo o morro sem asfalto,
apenas os meus pés tocando o ladrilhado.
Mais de meia noite já é.
Os acostumados a labuta já foram para cama,
coroados por suas rainhas ou não.

No topo do morro sem asfalto, umas poucas almas assombram.
Algumas perdidas, outras vividas, algumas ainda a amadurecer.
Todas elas, porém, escondem o porque vem.
Cada alma presa em uma garrafa, encostada no fundo
de uma mistura de álcool e garapa.

A insônia que assombra,
o costume noturno que assola,
A cicatriz que sangra, o passado manchado,
o vinho derramado.

Ah, essas chagas causadas pelo tempo,
por que teimam em não calejar?
Por que teimam em sempre sangrar?
Em qual copo, em que cama, a paz vão encontrar
Seja com a cicatriz a fechar, ou a ferida a gangrenar.

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