"Ah!", balbuciou Ana, tropeçando no vestido molhado pela tarde chuvosa, rolando três vezes escada do parque abaixo. Pensou não haver problema, já que três era seu número favorito. Um pouco de lama, um mar no vestido, e a bolsa jogada. Agarrou a bolsa e, apressada, seguiu para a casa, atrasada, atrasada.
"Nunca mais paro para comer pastel! Mas vinham três pastéis, por três reais! E rolei três vezes agora. Meu número favorito está em todo lugar! Será sorte?"
A resposta vei ao virar a esquina: Três gatos. Um branco, um amarelo, e uma preta. Olhos azuis, vermelhos e rosas, respectivamente.
"Três gatos! Meu núm-" "Pedágio". Ana parou, estupefata. O gato falou. Não, minto: O gato COBROU. Mas vamos por partes. O gato falou. O amarelo. Agora sim, estamos em ordem. Então... "O GATO COBROU!", gritou a pobre Ana, lisa e molhada. "Cobrei", disse o Amarelo. "Vai pagar? Só assim para passar." "Seu gato, nada tenho de valor. Deixe-me passar, por favor!", pedia Ana, sentindo os cabelos alongando-se, como se a água dançasse por cada fio ao passar. "Então volte.".
Deu as costas, e o branco disse "Pedágio". "QUÊ?!" "Sim, pedágio. Na verdade, uma aposta. Se ganhar, passa. Se não, a preta lhe pedirá um favor" E sentiu. Sentiu o peso dos olhos rosas nas costas, a esperar ansiosa para banquetear-se no fervoroso favor que seria realizado. Com o rabo, como um ilusionista, o branco ergueu uma moeda. "Cara ou coroa?" "Coroa." Ana disse, enquanto os dois expectadores miavam alto "Cara! Cara!". A moeda deslizou girando, depredando as gotas d'água em seu caminho, apenas para dar...
"Cara." Ana falou. Suspirou, virou-se para o branco, que apontou com o rabo para a preta.
"Ótimo. Seu favor é: Ir para casa." "Hã?" "Só vá. Agradeça-nos depois, nesse mesmo beco".
Apressada, desmiolada, despreparada e sem entender, Ana correu pelo caminho de volta para casa, depredando as gotas de chuva que caíam em seu caminho, enquanto suas moedas falsas caiam pelo chão, todas dando cara.
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