quinta-feira, 2 de maio de 2013

Bruno

Tudo ia normal no vagão. Cada pessoa estava sentada, despercebidas do passar dos minutos, apenas esperando para desembarcar com mais algumas pessoas sentindo o tempo fluir novamente, de mãos dadas com o vento. Até a discussão. Alguém não quis oferecer um lugar a um idoso, e outro alguém, com qualquer nome, foi dialogar. O diálogo pegou fogo. Virou discussão. E o fogo, como se espalhando-se na mata seca, atiçou-se. Atiçou uma faca, torturando o tempo parado durante sua trajetória a Victor. Daniel foi esfaqueado. Perfurado embaixo das costelas, no estômago. Uma velha rezadeira rezou a Deus para que o Inimigo saísse do trem logo. Uma garota, desconcertada, tentava ligar para a ajuda. O tempo voltou ao vagão, atraído pelo cheiro de sangue e morte.

O tempo voltou, e a normalidade se foi.

Como se esquecesse por um momento daquele local, a normalidade saiu de mãos dadas com um parceiro agradável. E a faca, enterrada no estômago de Fábio, foi expulsa do corpo de Fernando, e enterrada no pescoço de seu portador, com um golpe vertical. Em choque, o homem observou aquele que deveria estar de joelhos no chão. A velha rezadeira rezou mais, tanto mais quanto os olhares no vagão ficaram surpresos: A ferida em Moacyr estava a desaparecer, carregando consigo seus cabelos, suas feições, seu jeito e seus músculos, trazendo de volta outros novos. O trem parou. Alguém saiu.

E não foi o velho que morava ali perto, e ia tomar uma sopa mais tarde com sua velha. Não foi a atendente de telemarketing, que chegaria atrasada caso perdesse a estação.

Aquele que saiu, saiu cansado de ter qualquer nome. Decidiu escolher um novo. E, tanto o tempo que começou a passar de novo, quanto o vento, pela primeira vez passaram por Bruno.

Nenhum comentário:

Postar um comentário