domingo, 21 de julho de 2013

Dust: An Elysian Tail

Volte para sua infância. Lembre-se das histórias de heróis que encheram e tocaram sua mente com demonstrações de coragem, bons atos e auto-sacrifício. Lembre-se das sensações passadas a você por elas. Do quanto isso lhe encantava.

Lembrou? Ótimo. Dust: An Elysian Tail tenta fazer isso com uma narrativa dividida em cinco capítulos, ambientada num mundo povoado com seres antropomórficos, sobre Dust, o personagem principal que, mesmo sem memória, esta sempre disposto a ajudar as pessoas caso elas peçam. Acompanhado de Fidget, uma simpática e engraçadíssima Nimbat (Uma espécie de felino com asas), e sua espada senciente The Blade of Ahrah que além de dar ótimos conselhos a Dust durante sua jornada, possui conhecimentos ocultos que podem ajudá-lo a recuperar sua memória. O jogo passa a narrativa acompanhada por um gameplay 2D side-scrolling com elementos de RPG, focado em combate, exploração e plataforma. O combate possui um sistema de combos rápido, preciso e fluído onde o jogo começa mostrando um conjunto de ferramentas bastante divertidas de brincar, até ensinar-lhe a habilidade dust storm que fortalece as magias de Fidget, transformando o jogo num show de magia e efeitos de luz acumuladores de combos, os quais dão experiência extra a Dust para que ele aumente seus atributos. Outro elemento no jogo é o sistema de crafting, que lhe permite construir equipamentos e acessórios não encontrados a venda, para tornar Dust mais forte e conferir-lhe outros bônus, como mais dinheiro ou regeneração de vida.

As músicas do jogo fazem um ótimo trabalho para fortalecer a sensação passada pelas diversas locações do jogo (incluindo fazer com que você não aguente mais estar em um local onde pessoas não se aventuram a passar), causando um bela sensação de estar presente no mundo. Isso, aliado com o fato dos cenários serem lindos, vai fazer com que você passe algum tempo parado apenas olhando as locações. Assim, não se surpreenda caso você escute a si mesmo assoviando algumas partes da trilha sonora do jogo.

Além disso, o jogo possui uma história de desenvolvimento a parte. Ele foi idealizado por um Dean Dodril, um artista e animador auto-didata que, querendo fazer um jogo, tornou-se também auto-didata tanto em programação quanto em game design, fazendo com que ganhasse um prêmio em 2009 dado pela Microsoft. A partir dai o jogo passou três anos em desenvolvimento, com Dodril achando pessoas para fazer a trilha sonora, as dublagens e algumas partes da história. Enfim, em 2012, ele foi lançado para o Xbox 360 na live arcade e em 2013 lançado ganhou uma versão para PC, sendo lançado no Steam.

Porém...

Na metade do jogo ele perde um pouco da fluidez. A área visitada no capítulo três faz tão bem o seu trabalho de passar a sensação dela ao jogador, que o jogador simplesmente cria um repúdio por ela: O design dessa área que, ao contrário das outras, é muito repetitiva, aliado aos inimigos dela, sua música tema e até mesmo a quest passa nessa área causam uma irritabilidade que simplesmente destrói a sensação de fluxo do jogo. Após essa área, o jogo começa a criar seu climax no capítulo quatro, onde ocorrem diversas revelações do enredo, levantando vários questionamentos sobre a essência do ser e da consciência. E, no último capítulo, nada de excepcional ocorre. Você realiza algumas quests, atravessa a área para cehgar ao último chefe, e a luta ocorre sem nenhuma sensação de climax.

O problema do final do jogo é simplesmente não ter feito um esforço para desenvolver o seu vilão. Nada é mostrado para fazer com que o jogador queira derrotá-lo. Ele sequer aparece interagindo com você até a luta contra ele. É simplesmente chegar lá tendo como única motivação de derrotá-lo terminar o jogo e ver eu final, mesmo sabendo que a guerra criada por esse vilão é tola apenas pelo fato de existir. Aliás, a razão guerra ocorrer sequer é explicada durante o jogo, tornando o seu suposto climax mais raso ainda.

Dust: An Elysyian Tail é um ótimo exemplo de jogo onde a viagem nele vale muito mais a pena do que a chegada ao destino. Os momentos mais emocionantes ocorrem em sua primeira metade, assim como a apresentação dos personagens com quem o jogador mais cria empatia, já que as áreas mostradas após isso são locais abandonados. É um novo vento para os jogos de ação 2D, que faz um ótimo trabalho representando esse estilo, mesmo com o final da jornada sendo nada em comparação ao resto da jornada.

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