Difícil é não esquecer.
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
sexta-feira, 26 de novembro de 2010
sexta-feira, 19 de novembro de 2010
Le fleur
E, no amanhecer na roda de samba,
Encontro uma flor.
Posso cuidar, ou só cheirar.
Mas, de fato, se por ventura não estiver inebriado.
Da flor me recordo, até o dia em que meu samba for pelo ralo.
Luiza - 1
Nos conhecemos de praticamente um acidente
Tu em teu locus, e eu no meu.
E, em tanto prosear, em tanta poesia,
Chegastes cá, acidentalmente ao meu lado,
como quem não queria nada, eu quis me aproximar
Até mesmo após o teu cangote cheirar.
Ah, Luiza...
De tantas desventuras, tantas andanças e tantos laços...
Me pergunto: Por que tinhas que voltar?
-Inspirado numa música ai.
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
sábado, 6 de novembro de 2010
Sem lirismo
Não estou em busca do bom gosto
que eu possa encontrar nos lábios de outrem
Só quero o prazer do toque, o prazer
de um encosto.
Não quero o coração cheio de sentimento,
onde eu lembre do lar, da sensação de ser amado.
Só quero minha mão cheia de um seio,
e o suor de dois se misturando.
Não quero a obrigação do amor, de carinho,
a obrigação onde nos lembram de como se deve amar.
Quero a liberdade de conversar, ir e voltar, sem me preocupar
e uma noite que eu não precise lembrar donde eu fui parar.
Por isso, garçom, me serve mais um whisky,
dos mais fortes, e põe um jazz pra tocar.
Tudo isso, sem lirismo, faz favor.
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
domingo, 31 de outubro de 2010
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
Então você se acordou.
Olhou para os lados, percebeu que mais alguém dormiu com você, mas não lembrou quem foi, aonde o conheceu, o que fizeram, ou até mesmo se tinhas saído ontem.
Levantastes e escovastes os dentes, deixando a cama como estava.
Chegando na sala, lá estava tua melhor amiga, apenas de camisa e calcinha, dormindo no sofá, com a tv ligada, o cinzeiro ao lado, completamente cheio, e a garrafa de vodka.
Na cozinha, aquele seu amigo homo, de todas as horas, olha pra você e disse "Tás acabada. Mas a noite foi boa. Se é que você consegue lembrar". Falando em lembrar, você sequer se olhou direito no espelho. Ah, o maldito espelho.
Voltas ao banheiro. Vês uma marca aqui, uma ali, no pescoço, e caças mais algumas pelos corpo; Pernas, braços - ontem alguém falou de suas pernas - , voltas ao quarto.
Do outro lado da cama, um bilhete, para a dona das fabulosas pernas. Deves ser tu, não é? Assim esperas. Estranho seria se fosse para outra e estava assim, no teu quarto, na tua cama ao lado.
Ele dizia o seguinte:
"Olá, dona das delicadas pernas que admirei a noite inteira. Não sei se vais lembrar de mim, até porque quase não lembrava de você quando acordei. Nosso encontro foi longo. De repente, sentas no balcão do bar, pedes um drink qualquer, já bêbada, e resmungas alguma coisa. Então olhas pra mim, pergunta se eu tenho maconha, bêbidas, qualquer coisa. Conta que foi demitida mais cedo, que uma semana atrás pegou seu ex-namorado em casa com um gay sadomaso, fazendo sabe-se lá o quê, o qual seu ex admite estar vendo a algumas semanas. Vira o drink num gole só, e pergunta novamente sobre as drogas. Eu continuo olhando, apenas ouvindo seus relatos, até que eu decido conversar. E pra que conversar com um bêbado? Mesmo assim, eu falei. Você ouviu. Nos encaramos. E então fumamos. Aspiramos e nos aquecemos na fumaça mais densa que podíamos, diversas vezes na mesma noite. Então vieram os entorpecentes, mais etílicos, mais fumaça, e fomos embora. Vagamos pela madrugada, tropeçando em tudo e até mesmo em nada. Me levas para tua casa. Me mostras os teus cds prediletos, e ficamos a dançar. E nos beijamos. E eu termino de me apaixonar. Me levas ao seu quarto, te levo à cama. E então, pernas. Pernas, mãos, nucas, contatos. Mais fumaça, e, de novo, o mesmo ciclo. Até sobrar nada, e dormires. Levanto, olho a janela, o bloco de papéis, a caneta, e escrevo. E vou-me. Por medo de ficar, por medo de ter que parar de me apaixonar..."
terça-feira, 26 de outubro de 2010
Roupas
Afinal, qual o problema em como me visto?
Que todos fiquem a falar,
Pois não me visto como artista,
como músico, como frentista.
Como empresário, palhaço,
e muito menos como Picasso.
Não me visto como cineasta,
como homens da noite,
como advogados, como mal tratado,
Porém, não vejo problema nisto.
Afinal, certeza, tenho uma.
Continuo humano quando me dispo.
Daquilo tudo, ele fez a lista do que sobrou
e do que faltou.
Sobraram os esbarros,
Sobraram alguns contatos,
Sobrou uma falsa esperança,
De certeza, faltou temperança.
Sobrou a possibilidade,
faltou vivacidade, felicidade.
Sobraram bebidas, cigarros, usuários
Faltaram os afagos, os abraços.
Sobraram amantes, indo e vindo,
como os sóis dos tediosos dias de domingo.
Faltaram as confissões, as gargalhadas, as confusões.
De tudo que sobrou, além do "eu mesmo",
Criou-se o escarro.
O único a ser aceitado,
pra depois ser refutado.
domingo, 24 de outubro de 2010
Malandro é malandro...
Sabe quando você cai num poço? Numa fossa miserável, grudenta, filha da puta, que lhe consome cada vez quanto mais cê cai no fundo?
Pois é, eu cheguei no fundo dele.
E sabe um segredo?
Lá tinha uma portinha escrita "saída de emergência"....
;DDDD
sábado, 23 de outubro de 2010
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
Prefácio e posfácio de horácio
Tudo bem em proferir seus lamentos,
seus escárnios, ou suas falcatruas,
enquanto abres tuas pernas nuas
em busca de um consolo pegajoso
e fortemente cheiroso.
Tudo bem, se ao andares nas ruas,
encontras várias das tuas, e ficas a fofocas
tagarelar, reclamar do outrem com todo o desdém
que teus lábios conseguem acumular.
Mas apenas poupe-me de tuas juras,
teus lamentos pela casa, tuas lamúrias de solidão,
ou teus fluidos jorrados pelo chão.
Pois de sincero, nisso tudo, só existe
o que murmuras durante teu sono,
os vários nomes falados, dos amores mal passados,
e dos amantes, recém apegados.
Agora, por insensato me tomas,
sem contato, apenas o escarro,
pelo qual me vejo ser apedrejado.
Mas, se acaso pensas que voltarei,
se acaso pensas que minhas mãos tocaram as tuas,
e meus braços teu corpo tomaram, engana-te.
Pois, de agora, te resta apenas o cigarro,
teu escarro escorrerá por outro ralo,
e meu passo, tornar-se-a bem passado....
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
segunda-feira, 20 de setembro de 2010
E eu me cansei dessa procura, dessa valorização de sentimentos. Sentimentos trazem tanto seu lado bom, quanto seu lado ruim a tona. E isso me exauriu demais, me deixou exausto. Danem-se músicas lindas, com tanto sentimento que fazem chorar. Danem-se os medos e as inseguranças de feridas anteriores, que os sentimentos nunca parecem conseguir sarar. Vou atrás de algo mais primordial, mais carnal, mais espiritual e natural que tudo isso.
Sim, irei atrás do meu instinto.
domingo, 29 de agosto de 2010
sexta-feira, 13 de agosto de 2010
"E pra onde foi tanto sentimento?", Ouviu César. 24 anos, ex-escritor, ou talvez ex-"sentidor", Estava numa dessas mesas de bar, tranqüilo, tomando seu whisky sem gelo, depois de um dia sem nenhuma ocasião excepcional. Se virou, e viu que havia sido uma criança que falara, passeando de mãos dadas com sua provável primeira namoradinha. Coisa linda. Então, pediu a conta, e se perguntou: E pra onde foi tanto sentimento? Pergunta clichê. Coisa clichê da vida. Sentiu que, exatamente no momento que comentasse isso com alguém, seria debochado. Pessoas legais não ligam para sentimentos ou dúvidas, claro! Ninguém quer ver alguém apenas parado num canto, com suas reflexões. Querem apenas sorrir, e que você seja besta para pagar a conta depois. Na hora da festa, é tudo junto, fato. Era ex-escritor, ex-sentidor. Se negava a sentir demais. Se negava a gozar demais, pra não perder demais. Não se prender demais. Na rua, chutou uma latinha de cerveja maltrapilha que achara, esbarrou numa velha amiga, e voltou a transformar cigarros em bitucas, depois de 2 anos sem fumar. Ficou caminhando, até a noite se aprofundar.
Continuando a perguntar-se: E o sentimento, pra onde foi?
terça-feira, 20 de julho de 2010
quarta-feira, 14 de julho de 2010
terça-feira, 13 de julho de 2010
domingo, 11 de julho de 2010
E de nada vão adiantar as mais tristes canções,
Sobre miséria humana, sobre corações arrebentados,
As inúmeras noites em claro,
Os inúmeros crepúsculos matutinos testemunhados,
Ou todos os copos esvaziados.
Pois ai está uma canção só tua;
Triste como um sorriso solitário,
Densa como o mar de tua alma,
E lenta, como uma balada tocada
graças a um fardo já guardado...
segunda-feira, 14 de junho de 2010
Celebração
E os dois, juntos
com aquela canção a cantar,
com nada no mundo a se importar,
botaram-se a celebrar, a berrar,
com aquela canção a cantar,
com nada no mundo a se importar,
botaram-se a celebrar, a berrar,
a soltar de suas gargantas vivas,
umas palavras gastas, a jardinar.
E, mais nada importava.
Exceto os dois,
exceto o amar,
e exceto as amantes,
a ir procurar.
domingo, 13 de junho de 2010
-E que se dane todo resto!!
E assim, bateu a porta, na cara do vácuo que tentava deixar pra trás. Mas à frente desse vácuo, havia o fardo. O fardo que nunca havia carregado. O fardo que já havia deixado lá trás a muito, e que, por mágica, prendeu-se a ele assim como a sua alma, e não jeito maneira. Não há whiskys, cigarros, valadas, risadas. Só o fardo, carregado, pesado, estabanado a desatinar. Mas não, não dava mais. Não havia porque carregar. Nunca havia feito-o...
Então pôs-se a caminhar. Noite fria, de neve, ruas vazias, pessoas no calor de suas casas, confortadas por abraços outrônimos, por risadas autonômas. De sozinho, só havia ele, só havia ele. Desatinada, sua alma, a fatigar de praça em praça...
Ah...
Porque você pode esquecer. Pode fingir que nada aconteceu. Mas sempre estará lá. Feito tatuagem na alma, feito neve cobrindo a rua quando cai. Lembranças. Memórias. Inútil à elas. Horrível, asqueroso, viver sem. E elas aparecem toda hora; até mesmo naquele vácuo não-preenchido dos segundos já vividos, ali haverá uma lembrança. Um memoir.
domingo, 30 de maio de 2010
segunda-feira, 10 de maio de 2010
Hm.
Eu só sou um homem mesmo;
Daqueles qualquer que se ver por ai,
folgados de vez em quando, determinados às vezes... Quase sempre.
Que ficam à conversar pelas ruas,
andando despreocupados dos pés à cabeça,
só pensando no jantar que vai estar a mesa
ou num afago para ganhar.
Daqueles de festa, de farra, de bebida, de poesia
que acha que pra farrar só é preciso estar junto,
sem nada falar, quando a companhia agradar.
Daqueles bem humanos.
Idiotas, teimosos, inocentes
Mas que espertos sabem ser, quando bem entender...
domingo, 25 de abril de 2010
Sem nome -
"Deus, porque queres que eu chore
acaso se ela retorne
aquela que causou meu fim?
Deus, para quem queres que eu ore
para aquela que me acolhe...
ou aquela do meu fim??"
Sem nome
Autoria: Onirê de Morais e Diogo Testa
Canção des-sossego
Ando pela rua como quem nada quer
Apenas para que, num dia, eu possa sequer
Fazer ouvir minha prosa
Não, não me vejo ali, tão triste,
num copo vazio a jazir numa mesa
vazia qualquer, sem bossa e sem humor.
Meu samba fez-se mudo;
calou-se de súbito
Como num som surdo, provocado
pelo tombo miúdo do vidro
que deixaram escorregar, num dia
tão tardio...
Ah, se meu samba tocar.
Ah, e, com minha prosa, abraçar...
Ah, se de cada vidro quebrado
num abraço, eu tirar uma flor
é essa flor que vai tirar o inchaço
causado pelo embaraço, da falta do cansaço...
quarta-feira, 14 de abril de 2010
Sabe quando dá aquela vontade de qualquer coisa? Pronto. Estou com essa vontade.
Vontade de sair na rua, pedir pela chuva, e ver minha chuva invisível aos olhos de outrem, insensível às peles de outrem, inaudível aos ouvidos de outrem. Tocar, cantar, enfim, fazer. Mas na verdade, sincera, vontade de escrever tenho. Escrever sobre algo que talvez possa ter sido escrito de vários jeitos, mas do meu próprio jeito. Não importa se a manhã ilumina tudo, ou se a noite está lá para acolher ou seus pobres filhos sem lugar, a serem amparados por lábios desconhecidos e copos implorando para ficarem vazios, ou seus filhos já formados, que nela se aventuram com a experiência de um velho navegador. Aquele filho da vida caminha, ou chora. Se caminhar, caminha com força, como se cada passo fosse o seu passo de adeus. E se chora, chora pra matar, pra se satisfazer. Se não fosse pra isso, inútil pra ele seria. Inútil.
domingo, 7 de março de 2010
Sensações
Acho as sensações uma das coisas mais lindas da vida. Oras, quem já sentiu-se incomodado com o fato de, em algum momento da vida, começar a ouvir uma trilha sonora na cabeça?? Ou então lembrar de uma situação extremamente engraçada ao passar na rua em que ela ocorreu? Ou lembrar daquele beijo intenso, que só aconteceu uma vez, mas que ficou marcado em seus lábios até hoje?
Claro, também ocorrem as sensações ruins. Mas tudo vem no pacote completo: o bônus, e a consequência (pus consequência porque esqueci-me de uma palavra melhor =P). A consequência das sensações é lembrar-se de um momento ruim, como, por exemplo, uma personagem de um seriado lembrar de como foi jogada na merda quando era mais jovem, ao sentir o cheiro da mesma. Ou então lembrar-se de um amor perdido ao ouvir uma música que lembra muito essa pessoa
Mesmo assim, sensações são, em minha sincera opinião, uma das principais fornecedoras de beleza à vida; Afinal, ela não está apenas nas lembranças, na nostalgia, mas no agora, no que os momentos de agora conseguem despertar em nós. Sensações são o antes e o agora. O depois que fique guardado no bolso, no armário, esperando sua hora de sair.
terça-feira, 2 de março de 2010
Sobre o ofício, ou a falta do ofício, de escrever.
A alguns tempos, eu realmente sentia que não conseguia mais escrever. Mais criar nada que desse pra ser escrito, digitado, etc. Entretanto, eu consigo falar, ao contrário dessa mesma época em 2009. Acho que tentei forçar. Mas isso não é algo que se força. É algo que vem natural, é a alma que não tem por onde sair e simplesmente escapa pelos dedos, pela fala, pelos gestos, etc. No final das contas, se acaso acontecer de cê experimentar algo assim, de não conseguir mais escrever, nem precisa se preocupar; Um belo dia, pode bater a vontade de fazê-lo. Se não bater, talvez signifique que cê não precisa. Talvez cê tenha um outro caminho, bem à sua frente, mas não consegue vê-lo...
Primeiro
Esse blog surgiu de uma insônia. Sim, insônia fuderosa. Tô aqui, pateticamente acordado, pensando na vida enquanto assisto Cowboy Bebop. O nome do blog ia ser outro (foi justamente o nome que me deu vontade de fazê-lo), mas já tinham pego o nome então foi o da 3ª música que mais me viciou ultimamente. Um blues só em gaita, perfeito pra ouvir-se numa bancada de bar, sob a luz amarela, enquanto se bebe qualquer coisa e se pensa em mais qualquer coisa. Perfeito pra nostalgia, mas também pra seguir em frente. Enfim, "daddy's got the blues". Mas não o meu. Com certeza, o meu velho, nem fudendo...
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