quarta-feira, 20 de abril de 2011

Estava voltando pra casa com uns amigos
Enquanto a chuva de faz algum tempo já
Castigava, limpava e parava a cidade.
Pensei nas garotas em seus apartamentos, quentes
vendo o jornal ou a novela. Pensei nas pessoas da br
que andavam às suas casas, como se fosse uma labuta.
Pensei nos amigos ilhados, nos engarrafamentos,
na cidade morta, parada, inativa. Na floresta de concreto
afundada. Pensei no prefeito a viagem. Pensei que, ao menos ele,
estava curtindo os prazeres de outro país com sua esposa,
ou as aventuras do mesmo, com seus comparsas.
Se ele gostar de whisky, espero que esteja bebendo um bem caro,
enquanto fico eu aqui, a procura de um whisky barato,
com um pé fraturado, num quarto mal-ocupado,
enquanto os bueiros em que escorrem o dinheiro fazem
um melhor trabalho, não pago, do que os poucos dessa cidade,
que apenas parecem buracos entalados.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Animal

Estava tudo escuro. Quando clareou, era tarde demais: Sentiu seu pé prender-se levemente a porta, sua mão baquear no chão, seu cotovelo arranhar-se, e seu pé quase destroçar-se. Entendia porra nenhuma, nem como estava em pé, pois entrou num ônibus vazio. Apenas pressentiu que havia algo ali, algo nele, a dizê-lo "PULA PORRA!". Algo animalesco, algo que nunca seria impedido, algo forte demais. E percebeu que se havia algo nele assim, ele deveria fazer juz a isso. Levantou-se, e foi mancando, até seu compromisso.

domingo, 3 de abril de 2011

Subindo o morro sem asfalto,
apenas os meus pés tocando o ladrilhado.
Mais de meia noite já é.
Os acostumados a labuta já foram para cama,
coroados por suas rainhas ou não.

No topo do morro sem asfalto, umas poucas almas assombram.
Algumas perdidas, outras vividas, algumas ainda a amadurecer.
Todas elas, porém, escondem o porque vem.
Cada alma presa em uma garrafa, encostada no fundo
de uma mistura de álcool e garapa.

A insônia que assombra,
o costume noturno que assola,
A cicatriz que sangra, o passado manchado,
o vinho derramado.

Ah, essas chagas causadas pelo tempo,
por que teimam em não calejar?
Por que teimam em sempre sangrar?
Em qual copo, em que cama, a paz vão encontrar
Seja com a cicatriz a fechar, ou a ferida a gangrenar.
Perdôem-me mulheres, as todas as noites eu as traio com a insônia.