Não conseguia mais sonhar bem.
Simples assim.
Facilmente deduziu o porquê daquilo, mas decidiu não importar-se. Importar-se só doeria mais.
Passou mais um tempo sonhando daquele jeito. Nunca bem.
Recorrentemente era alguém com objetivos. Sabia o que queria e como conseguí-lo. Quando não sabia como, descobria: Perguntas e questionamentos ocorriam com a frequência de um piscar de olhos, sempre sobrepondo o valor das anteriores, apenas para valorizar as que viriam logo após. Obteve conhecimento construindo resposta sobre resposta, pesquisa sobre pesquisa, que ao invés de erguerem-se como um muro cresciam como um mundo. Um mundo compacto em sua mente, mas vasto em sua limitação, essa sempre expandindo-se, dia após dia, hora após hora, minutos após minuto, momento após momento. Perseguiu seus objetivos, cortando todas as perguntas bloqueando seu caminho com as respostas descobertas. Chegou em algum lugar. E achava outro lugar onde chegar, até acordar e perceber que sonhou com quem já foi.
Menos recorrente eram seus sonhos de como era agora: Triste. Derrubado, caído, perdido, acabado, desacreditado, debilitado. Azarado, massacrado, fuzilado, escrachado. Cansado, por uma luta duradoura, começada quando voltou a morar com a família e encontrou-a com irmã mais velha em prantos constantemente, com pouco sentido em suas palavras, como ela via pouco sentido em seus sentimentos; A mãe lutando dia após dia para não deixar-se dilacerar pelo sofrimento transeunte da filha, procurando em várias preces, para mais de alguns deuses, uma armadura não apenas protetora como também sustentadora.
-Escrito há muitos, muitos meses atrás
sexta-feira, 24 de outubro de 2014
sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014
Diário de bordo. n-ésimo dia acordando como se eu tivesse uma pedra no nariz. Nada passa por ali: ar, oxigênio, paixão, remédios, criatividade, empolgação, delírio. Tudo é bloqueado por uma pedra invisível. Ou talvez o nariz esteja selecionando o que irá passar. Uma seleção bizarra, cujo método seletivo deixa a vida de fora e traz a necrose pra dentro. Sinto a agonia de não respirar, sinto quando acordo e passo uma hora sem querer fazer nada, sinto quando a ideia de fazer passa pela minha mente, pela fina corda-bamba que vai do pensamento ao fazer, e a maioria dessas ideias cai sem sequer alcançar a metade do caminho. O nariz deixa nada passar, enquanto um monte de merda se acumula pelo corpo, literal e metafisicamente. Por o que não presta para fora esta bem difícil, assim como falar o que é preciso falar. É bem difícil.
quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014
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