domingo, 27 de fevereiro de 2011

Se um dos meios da renovação é a destruição, o assassinato,
Então que eu torne-me executor de mim mesmo.
Que eu seja meu próprio mártir, pela minha egoísta causa.
Para que em mim não haja uma redução, mas sim, uma iluminação.

E então você voltou.
Sem desculpa, sem permissão
sem perdão ou sequer piedade.
Voltou querendo meus braços,
envolvendo-me em suas pernas;
mordendo-me os lábios.

Largaste-me indefeso, inebriado.
Deixado com o coração arregaçado,
E voltas antes mesmo dele ter se mudado.
Maldita é o que és.
Maledicência corre em tuas veias, e envenena aqueles a tua volta.
Porém pra mim não há mais volta.
Possuo-te, possuo teus seios, te faço mulher.
Então. te largo entregada. Bato a porta em tua cara.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

-Amigo, lhe proponho um jogo. - disse um fulano qualquer, a andar para casa na noite escura, com um compadre. - Cada cigarro que fumastes até hoje, corresponde a cheirar a nuca de uma mulher. Cada copo que virasse é um beijo dado e, a cada dez vezes que chegasse acabado de beber em casa, foi uma mulher amada. - O compadre pensou. Lembrou dos cigarros, dos copos, e das bebedeiras, todas incontáveis, e respondeu: "Do mesmo jeito que contar um vício é um mal desnecessário, contar o amar é preocupação jogada fora", e entornou o cantil por inteiro.

Maltrato

Acordou. A ressaca tomava conta do quarto inteiro, mas mesmo assim foi a procura de seus cigarros, logo percebendo que eles haviam acabado. "Merda, odeio comprar cigarros de ressaca" pensa ele pela incontável vez. Põe um chinelo, e sai de casa no short e nos óculos escuros apenas, procurando a venda mais próxima. Sol escaldante no céu, carros enlouquecidos com seus motores a trovejar, e ele apenas querendo uma merda duma carteira de cigarros, pobre coitado. Chegou na venda, entregou seu trocado ao amigo. Abriu a carteira, aspirou fundo o aroma de cigarros novos, pronto para serem tragados. Levou um à boca, acendeu-o com um fósforo, e, logo após o deleite da primeira tragada, faleceu atropelado.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

A necessidade de hoje tornar-se-á o óbvio de amanhã. Ou o mal.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

"Essa noite é pra fazer o que dá na telha.
No final, é pra se inspirar, e deixar tudo transpirar.
Uma cerveja na janela, ou uma música qualquer, ou um violão desgarrado, chorado, ou qualquer outra coisa.
Só simplesmente deixar."

-Conversa do msn com Veridiana, as 10 pras 3 da manhã, na madruga chuvosa de 14 de fevereiro.
Conversa, antes de qualquer coisa, é casamento. Não, não, é noivado. Melhor, ainda não, mas é algo que vai levar a tudo isso. Me acompanhe. Conversa pode dar luz a idéias maravilhosas, poesias escabrosas, maldosas, melandrosas, e afins, e sensações maravilhosas. Conversas podem trazer luz a algo escuro num muro, um escuro no quarto, um escuro atrás de um escudo. Conversas são, antes de tudo, trocas. Troca de alma. Conversar uma boa conversa, é deleitar o deitar de almas.
É de dois gumes.
Por um lado, acalma, restaura, dá paz.
Por outro, desalenta, pesa, chicoteia.
Tira de tudo de uma sobra, do resquício, do quase vazio,
Do fim do príncipio, do começo do precipício, de todo quartil.

É de dois gumes:
Como a empunhadura em chama da espada do cavaleiro,
Como o orgulho ferido do samurai desgarrado,
Como o copo vazio, a frente do vadio inibido,
Como a carteira fechada, procurando uma dor danada,
um aperreio inconstante, uma dor na fonte,
É de dois gumes sim. De dois gumes.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

E é esse meu compasso descompassado. Sem ritmo, só apaixonado. Sem rumo, puramente atravessado. Sem passo, todo humanizado. Desgraçado, descanonizado, meio safado.
O homem nasce como um novilho;
Alheio a tudo, mal conseguindo andar,
Com sede do que próximo há,
E, do desconhecido, nutre pavor.

O homem cresce, vira um bezerro.
Um pouco mais forte, mais corajoso.
Preparado para o porrete,
preparado, fisicamente, para o cacete.

Cresce mais uma vez, vira alazão.
A correr pelas planícies, a explorar os canais.
Sem nunca se saciar,
sem nunca fraquejar.

Em penúltimo, o homem muda.
Muda para bode, aquele que se acolhe.
Escolhe os próprios pastos, de lá mesmo tira alimento.
E lá mesmo, cria a cria.

E, em último, o homem vira um novamente um alazão.
Que, dessa vez, protege sua manada.
Que, dessa vez, protege sua amada.
Que, dessa vez, protege seu pasto.
Para, lá mesmo, apenas lhe restar o seu casco.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Evitar as cinzas de nada adianta.
De nada adianta evitar o fogo,
a ardência, as queimaduras, o funeral.
No mais, um dia o mundo cai,
ardido, fedido, incolor, cheio de dor.
De sobras, só cinzas e alma restarão.

Porém achar que as cinzas nada podem provir é em vão.
Porque, se até um pássaro elas podem gerir,
o que de um sorriso se pode dizer?