domingo, 25 de abril de 2010

Sem nome -

"Deus, porque queres que eu chore
acaso se ela retorne
aquela que causou meu fim?

Deus, para quem queres que eu ore
para aquela que me acolhe...
ou aquela do meu fim??"

Sem nome
Autoria: Onirê de Morais e Diogo Testa

Canção des-sossego

Ando pela rua como quem nada quer
Apenas para que, num dia, eu possa sequer
Fazer ouvir minha prosa

Não, não me vejo ali, tão triste,
num copo vazio a jazir numa mesa
vazia qualquer, sem bossa e sem humor.
Meu samba fez-se mudo;
calou-se de súbito

Como num som surdo, provocado
pelo tombo miúdo do vidro
que deixaram escorregar, num dia
tão tardio...

Ah, se meu samba tocar.
Ah, e, com minha prosa, abraçar...
Ah, se de cada vidro quebrado
num abraço, eu tirar uma flor
é essa flor que vai tirar o inchaço
causado pelo embaraço, da falta do cansaço...

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Sabe quando dá aquela vontade de qualquer coisa? Pronto. Estou com essa vontade.
Vontade de sair na rua, pedir pela chuva, e ver minha chuva invisível aos olhos de outrem, insensível às peles de outrem, inaudível aos ouvidos de outrem. Tocar, cantar, enfim, fazer. Mas na verdade, sincera, vontade de escrever tenho. Escrever sobre algo que talvez possa ter sido escrito de vários jeitos, mas do meu próprio jeito. Não importa se a manhã ilumina tudo, ou se a noite está lá para acolher ou seus pobres filhos sem lugar, a serem amparados por lábios desconhecidos e copos implorando para ficarem vazios, ou seus filhos já formados, que nela se aventuram com a experiência de um velho navegador. Aquele filho da vida caminha, ou chora. Se caminhar, caminha com força, como se cada passo fosse o seu passo de adeus. E se chora, chora pra matar, pra se satisfazer. Se não fosse pra isso, inútil pra ele seria. Inútil.