domingo, 31 de outubro de 2010

E, depois de tanta solidão, tantas coisas sem aparente solução, me sobra, apenas, entoar mais uma canção.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

"Você perde sua inocência quando aprende que, até depender dos outros, só depende de você."

Antigo provérbio pernambucano de... 1 minuto de idade.
Então você se acordou.
Olhou para os lados, percebeu que mais alguém dormiu com você, mas não lembrou quem foi, aonde o conheceu, o que fizeram, ou até mesmo se tinhas saído ontem.
Levantastes e escovastes os dentes, deixando a cama como estava.
Chegando na sala, lá estava tua melhor amiga, apenas de camisa e calcinha, dormindo no sofá, com a tv ligada, o cinzeiro ao lado, completamente cheio, e a garrafa de vodka.
Na cozinha, aquele seu amigo homo, de todas as horas, olha pra você e disse "Tás acabada. Mas a noite foi boa. Se é que você consegue lembrar". Falando em lembrar, você sequer se olhou direito no espelho. Ah, o maldito espelho.
Voltas ao banheiro. Vês uma marca aqui, uma ali, no pescoço, e caças mais algumas pelos corpo; Pernas, braços - ontem alguém falou de suas pernas - , voltas ao quarto.
Do outro lado da cama, um bilhete, para a dona das fabulosas pernas. Deves ser tu, não é? Assim esperas. Estranho seria se fosse para outra e estava assim, no teu quarto, na tua cama ao lado.
Ele dizia o seguinte:

"Olá, dona das delicadas pernas que admirei a noite inteira. Não sei se vais lembrar de mim, até porque quase não lembrava de você quando acordei. Nosso encontro foi longo. De repente, sentas no balcão do bar, pedes um drink qualquer, já bêbada, e resmungas alguma coisa. Então olhas pra mim, pergunta se eu tenho maconha, bêbidas, qualquer coisa. Conta que foi demitida mais cedo, que uma semana atrás pegou seu ex-namorado em casa com um gay sadomaso, fazendo sabe-se lá o quê, o qual seu ex admite estar vendo a algumas semanas. Vira o drink num gole só, e pergunta novamente sobre as drogas. Eu continuo olhando, apenas ouvindo seus relatos, até que eu decido conversar. E pra que conversar com um bêbado? Mesmo assim, eu falei. Você ouviu. Nos encaramos. E então fumamos. Aspiramos e nos aquecemos na fumaça mais densa que podíamos, diversas vezes na mesma noite. Então vieram os entorpecentes, mais etílicos, mais fumaça, e fomos embora. Vagamos pela madrugada, tropeçando em tudo e até mesmo em nada. Me levas para tua casa. Me mostras os teus cds prediletos, e ficamos a dançar. E nos beijamos. E eu termino de me apaixonar. Me levas ao seu quarto, te levo à cama. E então, pernas. Pernas, mãos, nucas, contatos. Mais fumaça, e, de novo, o mesmo ciclo. Até sobrar nada, e dormires. Levanto, olho a janela, o bloco de papéis, a caneta, e escrevo. E vou-me. Por medo de ficar, por medo de ter que parar de me apaixonar..."

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Roupas

Afinal, qual o problema em como me visto?
Que todos fiquem a falar,
Pois não me visto como artista,
como músico, como frentista.
Como empresário, palhaço,
e muito menos como Picasso.
Não me visto como cineasta,
como homens da noite,
como advogados, como mal tratado,
Porém, não vejo problema nisto.
Afinal, certeza, tenho uma.
Continuo humano quando me dispo.
Daquilo tudo, ele fez a lista do que sobrou
e do que faltou.
Sobraram os esbarros,
Sobraram alguns contatos,
Sobrou uma falsa esperança,
De certeza, faltou temperança.
Sobrou a possibilidade,
faltou vivacidade, felicidade.
Sobraram bebidas, cigarros, usuários
Faltaram os afagos, os abraços.
Sobraram amantes, indo e vindo,
como os sóis dos tediosos dias de domingo.
Faltaram as confissões, as gargalhadas, as confusões.
De tudo que sobrou, além do "eu mesmo",
Criou-se o escarro.
O único a ser aceitado,
pra depois ser refutado.

domingo, 24 de outubro de 2010

Malandro é malandro...

Sabe quando você cai num poço? Numa fossa miserável, grudenta, filha da puta, que lhe consome cada vez quanto mais cê cai no fundo?

Pois é, eu cheguei no fundo dele.

E sabe um segredo?

Lá tinha uma portinha escrita "saída de emergência"....

;DDDD
Quer saber quando você chegou ao fundo do poço? Quando beber, fumar, transar, e nem mais nenhuma outra coisa desse mundo lhe traz paz. Nenhuma.

sábado, 23 de outubro de 2010

Vá, e exiba esse sorriso despreocupado
que carregás por todo canto,
onde quer que estejas, por onde quer que passes
No final, tudo nele apenas tornar-se-á uma farsa memorável
a ti, a mim, e a todos os outros.
Porque ele sequer consegue manter
um gostinho de felicidade

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Prefácio e posfácio de horácio

Tudo bem em proferir seus lamentos,
seus escárnios, ou suas falcatruas,
enquanto abres tuas pernas nuas
em busca de um consolo pegajoso
e fortemente cheiroso.

Tudo bem, se ao andares nas ruas,
encontras várias das tuas, e ficas a fofocas
tagarelar, reclamar do outrem com todo o desdém
que teus lábios conseguem acumular.
Mas apenas poupe-me de tuas juras,
teus lamentos pela casa, tuas lamúrias de solidão,
ou teus fluidos jorrados pelo chão.
Pois de sincero, nisso tudo, só existe
o que murmuras durante teu sono,
os vários nomes falados, dos amores mal passados,
e dos amantes, recém apegados.

Agora, por insensato me tomas,
sem contato, apenas o escarro,
pelo qual me vejo ser apedrejado.
Mas, se acaso pensas que voltarei,
se acaso pensas que minhas mãos tocaram as tuas,
e meus braços teu corpo tomaram, engana-te.
Pois, de agora, te resta apenas o cigarro,
teu escarro escorrerá por outro ralo,
e meu passo, tornar-se-a bem passado....

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

No mais, o que sobrou de si mesmo ele já sabia onde iria encontrar: num copo de cerveja, esperando num bar, no lugar de estudar, e numa boa conversa, a filosofar. De mais, nada; Só havia uma sombra a andar, suas cinzas a espalhar, e as palavras antigas, a lembrar....