segunda-feira, 14 de junho de 2010

Celebração

E os dois, juntos
com aquela canção a cantar,
com nada no mundo a se importar,
botaram-se a celebrar, a berrar,
a soltar de suas gargantas vivas,
umas palavras gastas, a jardinar.

E, mais nada importava.
Exceto os dois,
exceto o amar,
e exceto as amantes,
a ir procurar.

domingo, 13 de junho de 2010

-E que se dane todo resto!!

E assim, bateu a porta, na cara do vácuo que tentava deixar pra trás. Mas à frente desse vácuo, havia o fardo. O fardo que nunca havia carregado. O fardo que já havia deixado lá trás a muito, e que, por mágica, prendeu-se a ele assim como a sua alma, e não jeito maneira. Não há whiskys, cigarros, valadas, risadas. Só o fardo, carregado, pesado, estabanado a desatinar. Mas não, não dava mais. Não havia porque carregar. Nunca havia feito-o...
Então pôs-se a caminhar. Noite fria, de neve, ruas vazias, pessoas no calor de suas casas, confortadas por abraços outrônimos, por risadas autonômas. De sozinho, só havia ele, só havia ele. Desatinada, sua alma, a fatigar de praça em praça...

Ah...

Porque você pode esquecer. Pode fingir que nada aconteceu. Mas sempre estará lá. Feito tatuagem na alma, feito neve cobrindo a rua quando cai. Lembranças. Memórias. Inútil à elas. Horrível, asqueroso, viver sem. E elas aparecem toda hora; até mesmo naquele vácuo não-preenchido dos segundos já vividos, ali haverá uma lembrança. Um memoir.