segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

O homem nasce como um novilho;
Alheio a tudo, mal conseguindo andar,
Com sede do que próximo há,
E, do desconhecido, nutre pavor.

O homem cresce, vira um bezerro.
Um pouco mais forte, mais corajoso.
Preparado para o porrete,
preparado, fisicamente, para o cacete.

Cresce mais uma vez, vira alazão.
A correr pelas planícies, a explorar os canais.
Sem nunca se saciar,
sem nunca fraquejar.

Em penúltimo, o homem muda.
Muda para bode, aquele que se acolhe.
Escolhe os próprios pastos, de lá mesmo tira alimento.
E lá mesmo, cria a cria.

E, em último, o homem vira um novamente um alazão.
Que, dessa vez, protege sua manada.
Que, dessa vez, protege sua amada.
Que, dessa vez, protege seu pasto.
Para, lá mesmo, apenas lhe restar o seu casco.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Evitar as cinzas de nada adianta.
De nada adianta evitar o fogo,
a ardência, as queimaduras, o funeral.
No mais, um dia o mundo cai,
ardido, fedido, incolor, cheio de dor.
De sobras, só cinzas e alma restarão.

Porém achar que as cinzas nada podem provir é em vão.
Porque, se até um pássaro elas podem gerir,
o que de um sorriso se pode dizer?

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Acabei por me perder em ti. Não, em me perder mesmo, não em me achar, como tantos diziam. Me perder em cada mistério não revelado, em cada costume não percebido de teu corpo. Teu corpo, teu corpo. Teu corpo é como a metade conhecida duma ilha para mim, já trilhada, conhecida na ponta dos dedos. Noutra metade, me aventuro. Tal qual um infante: A infância mingua, o encanto mingua junto.
Vá, podes ir. Apenas me deixe o whisky. Privar-me também do malte seria malvadeza demais. Pegue seus malas de merda, e saia. Não pra trás, e se acaso pensares em voltar, o faça depois de amanhã .Hoje quero ser esquecido, transformar o eu que há nos outros num grande vazio qualquer. Não irei me embriagar, não sejas chiliquenta. Irei me esquecer.

Nota de um jovem vagabundo - 1

Cheguei em casa. A noite foi longa, com todos os meus companheiros de bebida no estado que deveriam estar, pra uma situação daquela. Alguns violões, muitas cervejas, algumas senhoritas. O cheiro de álcool impregnava o ar à minha volta; Óbvio que vinha de mim. O sono estava à mostra no inferior dos meus olhos, porém decidi não dormir. O dia é um bebê, e a vida não passa de uma criança de 11 anos. Deveria aproveitar. Mudo de idéia, mas não por ressaca; Apenas por nada.

sábado, 29 de janeiro de 2011

...O que me aterroriza não é o quão escuro. Meu temor é o quão profundo.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Ah não. A loucura não corre pelas veias. A loucura é exalada pelos poros, para transmitir-se pelo ar. A loucura alcança a mente e eriça os cabelos, para se mostrar. Enfim, a loucura acha residência nos olhos. De lá, ela abrange bem mais que o imprevisível.