sábado, 19 de fevereiro de 2011

A necessidade de hoje tornar-se-á o óbvio de amanhã. Ou o mal.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

"Essa noite é pra fazer o que dá na telha.
No final, é pra se inspirar, e deixar tudo transpirar.
Uma cerveja na janela, ou uma música qualquer, ou um violão desgarrado, chorado, ou qualquer outra coisa.
Só simplesmente deixar."

-Conversa do msn com Veridiana, as 10 pras 3 da manhã, na madruga chuvosa de 14 de fevereiro.
Conversa, antes de qualquer coisa, é casamento. Não, não, é noivado. Melhor, ainda não, mas é algo que vai levar a tudo isso. Me acompanhe. Conversa pode dar luz a idéias maravilhosas, poesias escabrosas, maldosas, melandrosas, e afins, e sensações maravilhosas. Conversas podem trazer luz a algo escuro num muro, um escuro no quarto, um escuro atrás de um escudo. Conversas são, antes de tudo, trocas. Troca de alma. Conversar uma boa conversa, é deleitar o deitar de almas.
É de dois gumes.
Por um lado, acalma, restaura, dá paz.
Por outro, desalenta, pesa, chicoteia.
Tira de tudo de uma sobra, do resquício, do quase vazio,
Do fim do príncipio, do começo do precipício, de todo quartil.

É de dois gumes:
Como a empunhadura em chama da espada do cavaleiro,
Como o orgulho ferido do samurai desgarrado,
Como o copo vazio, a frente do vadio inibido,
Como a carteira fechada, procurando uma dor danada,
um aperreio inconstante, uma dor na fonte,
É de dois gumes sim. De dois gumes.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

E é esse meu compasso descompassado. Sem ritmo, só apaixonado. Sem rumo, puramente atravessado. Sem passo, todo humanizado. Desgraçado, descanonizado, meio safado.
O homem nasce como um novilho;
Alheio a tudo, mal conseguindo andar,
Com sede do que próximo há,
E, do desconhecido, nutre pavor.

O homem cresce, vira um bezerro.
Um pouco mais forte, mais corajoso.
Preparado para o porrete,
preparado, fisicamente, para o cacete.

Cresce mais uma vez, vira alazão.
A correr pelas planícies, a explorar os canais.
Sem nunca se saciar,
sem nunca fraquejar.

Em penúltimo, o homem muda.
Muda para bode, aquele que se acolhe.
Escolhe os próprios pastos, de lá mesmo tira alimento.
E lá mesmo, cria a cria.

E, em último, o homem vira um novamente um alazão.
Que, dessa vez, protege sua manada.
Que, dessa vez, protege sua amada.
Que, dessa vez, protege seu pasto.
Para, lá mesmo, apenas lhe restar o seu casco.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Evitar as cinzas de nada adianta.
De nada adianta evitar o fogo,
a ardência, as queimaduras, o funeral.
No mais, um dia o mundo cai,
ardido, fedido, incolor, cheio de dor.
De sobras, só cinzas e alma restarão.

Porém achar que as cinzas nada podem provir é em vão.
Porque, se até um pássaro elas podem gerir,
o que de um sorriso se pode dizer?