terça-feira, 13 de setembro de 2011

Minha cara, minha querida, perdoe-me.
Ou melhor, não me perdoe. Não há perdão para isso. Só se necessário. Mas não guarde rancor. Não fiques insegura. Não te aches inferior. Não te negatives.
Um beijo eu gostaria de ter-lhe dado. Em meus braços, naquele lugar, àquela hora. Mas não pude.
Não pude, não por sua causa. Não pude, não por não querer. Não pude, não por não vergonha ou falta de uma valsa.
Não pude, pois sou triste. E a tristeza pesa em meus lábios. E a tristeza amarga meus ombros, cega os olhos, inunda a mente.
Sou triste, minha cara. E triste sou eu, que da felicidade correu.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Você marca para encontrar-se com uma garota no bar, aquele de sempre, e chega 10 minutos, 10 não importantes minutos, mais cedo. Pois bem, antes ela não esperar do que eu. Pede uma cerveja, um copo, o sal e a pimenta. Liga o mp-qualquercoisa, e num só gole esvazia o primeiro copo, para a partir daí perder-se em pensamentos. Lembra da sua primeira vinda a esse bar. Dos amigos bêbados cantando, sendo carregados, ou lhe carregando. E das outras garotas, de outros encontros, distantes encontros, tenham eles ocorridos do outro lado da cidade ou doutro lado da rua; O tempo encarrega-se da distância.

Quando percebes, quatro garrafas já passaram. A garota não chegara, nem sinal de vida dera. Você liga e não é atendido. Liga de novo, em pouco tempo, e dá desligado. Hm, pois bem. Manda uma mensagem dizendo que se foi. Pede outro copo. Bebe outro gole, e tal qual uma perce, pensa:
"E então noite? Há quem minha cerveja darás?"

domingo, 11 de setembro de 2011

A única prova cabível e indiscutível que eu tenho para ter certeza de que ainda sou uma boa pessoa, é que basta eu chegar em casa para minha cachorra passar o tempo inteiro grudada comigo no meu quarto.

Oh well. Nem saber o que é ser uma boa pessoa eu sei.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Se é pra escrever, prefiro uma caneta sem preconceitos.
Sem preceitos, sem prescrição, sem regra, sem coordenação.
Escrevo uma merda, uma besteira, uma bobeira,
e derramando a cachaça, que o copo ocupava,
enquanto no coitado esbarrava.

Me faço um samba, uma poesia, um conto.
Falo de mulher, de coração vazio, cheio, fechado ou aberto,
de pretos, de nêgos lombreiros, de mágos viajados.
E volte às mulheres. Aos cabelos, às belezas, aos encantadores sorrisos,
e aos interesses, sejam de bem, sejam vulgos demais.

Mancho a mão de tinta, estouro a caneta, fiel companheira
velha de guerra, preenchida de tanto coração.
Me largo na rua, de uma hora até a mesma de amanhã.
Me embriago na vida, na cerveja, num poste me esbarro.
Me entrego em cheio, na conversa da sarjeta,
ou num beijo, feito de jeito.
E me termino, numa corda de violão.

Samba do 8 ou 80

Amigo meu, preste atenção no que eu vou falar.
Tenho que pedir, porque se conselho fosse bom, lhe ia cobrar.
Porque viver de 8 ou 80 pra sempre não dá.
Porque não importa qual seja o 80, paixão lhe faltará.

Pra sair, não adianta tentar sair com média.
Ponderada, aritmética, ou geométrica.
Nem adianta uma equação formar, meu amigo.
Pra sair, meu amigo, você vai ter que subtrair.

Chegue no 79. É quando você irá começar a enxergar.
Caia prum 78 de cara. Amigo, ai você errar.
77. Dois sagrados. Uma benção de iemanjá você vai ganhar.
76, e em seu quarto viverá, porque é a hora de pensar.
75, 74, 73, 72, 71, 70. E até o 65 é melhor pensar mais. Uma precaução a tomar.
64 ao 60, nada vai mudar. No 60, porém, uma morena irá se chegar.

59, meu caro, segure bem o barco, pois os amigos vão chiar.
58, 57, 56, lasqueira, agora até o 50 é uma ladeira.
50. A morena te segurou no braço, te marcou com o coração.
49. Primeira vez que sua família vai notar.
48. Aos amigos irás voltar, ao samba vais se jogar...
Sem esquecer, é claro, a bóia para ao 47 falar
"vem, te chega, que a festa acaba e meu amanhã é pra ti!"
46. Já tá perto de lá. Com sorte, contigo a morena ainda está.
Se a morena saiu, teu coração trates de não fechar. Só assim o 45 chegará.
44. É ai, meu caro, que os dias de paixão e trabalho irão transbordar do teu prato.


Por favor, cansei-me dessas expressões públicas de coração partido. Coração que diz que vai fugir, mas não foge. Coração que diz "não vou ficar", mas fica (pior) sempre a penar. Coração que diz "fui ali", quando sempre esteve escondido na esquina a olhar. Coração que se diz fechado, coração que se diz machucado. Tem melhor expressão de não coração, do que não se expressar? Grato.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Se coragem é tão importante, por que é tão difícil por um pé a frente? Por que é tão complicado uma palavra a fora? Por que é tão penoso um bem estar?

Realmente, a vida é estranha.