domingo, 6 de novembro de 2011

http://www.youtube.com/watch?v=Do_HpqILPLo

Eu queria poder não apenas cogitar, conjecturar e pensar que o "and i'm tired now" nessa música significa o cansaço da pessoa em relação ao fato de tudo ser um círculo levando a lugar nenhum, o cansaço dela ter perdido seu rosto, sua dignidade, seu visual, seu exterior, o cansaço de estar na situação em que ela estar, e poder acreditar nisso. Acreditar tão forte, mais tão forte, que eu pudesse agarrar-me nisso como alguém agarra-se a mão de um amado, de um ente querido, ou agarra-se a um fato consumado...

Mas eu não consigo. Eu simplesmente, não importa o quanto eu tente. Eu não consigo.

domingo, 16 de outubro de 2011

Vai ver o problema dele não era que a vida o sempre dava rasteiras, pontapés, e virava-lhe a cara quando o derrubava ao chão. Talvez fosse mesmo que ele simplesmente não gostasse de manter-se em pé.

sábado, 15 de outubro de 2011

E se, para ele, o estado de felicidade fosse como beber do veneno mais puramente azedo e ácido já visto? E se, novamente para aquele pobre coitado, amar fosse como andar de pés descalços sobre brasa, tendo sua pele molhada por uma chuva ácida de sangue escarlate, podre, e fétido? E se... E se?
"Tolice", o bêbado que nem era tão velho assim, mas que mesmo já possuía olhos bem profundos e cinzas, disse alto no bar, enquanto o casal brigava por algum motivo qualquer desse, um homem de terno, típico businessman que trabalha 10 horas por dia num cubículo bebia pela mulher que trocou-o pelo melhor amigo, ou qualquer outra razão para todos aqueles bêbados solitários e com cara de desamparados estarem numa noite de sábado enchendo a cara. Destruiu a garrafa de cachaça que estava secando ao jogá-la contra a parede, e disse "esse é meu brinde a todos nós", antes de adormecer com a cara toda babada no balcão.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Bateu-me a vontade de escrever. De deixar a alma gritar pelos dedos, pelas letras tortas escritas, pelo suor pingado excessivamente pela mão corriqueira, desastrada, desesperada. Vontade de dizer um algo, apenas um, pra mudar tudo, para libertar. Um verso só, de coragem, de mudança.

Mas era a noite só. A noite de sempre, no mesmo quarto, vazio e mal-guardado.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Estranho mesmo é sentir-se estranho por uma felicidade e uma satisfação conseguidas por puro sangue e suor.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Carta ao marmanjo.

Meu caro, antes de tudo, saiba disso: Não irei para de olhar sua mulher. Aliás, qualquer mulher. Não irei negar-me a ver o belo, o absurdo, o astuto, apenas por sua teima. Esse par de olhos hão sempre de fazer isso: Serem atraídos por uma beleza, assim como os ouvidos são atraídos por um som, assim, como meus lábios atraem-se por outro lábios. Ah, e não adianta comigo brigar. Não adianta tentar envolver seus punhos em fúria e ciúmes, espancar-me, e achar que tudo está resolvido. Não, não. Pois disso resultará ou um, ou outro: Ou tu não és digno dela, ou ela não será interessante a mim, assim que a conhecer.

Grato.