Ele esperava ali, escondido nas moitas, faziam cinco dias inteiros já. Seu toca-fitas pausado, exceto nos momentos em que notava alguma movimentação, para evitar gastar suas pilhas. As quais tinha muitas, por sinal. Mas muitas ainda acabam. Guardava sua urina em garrafas que havia trazido e as esvaziava de vez em quando. Arranjava água num rio ali perto, e esse rio era o motivo de estar lá: aquela área era muito importante para permitir que os inimigos passassem por ali. E um a um, os oponentes caíam. Cinco dias. Cinco dias recarregando, mirando, esperando, apertando o gatilho, de dor nos dedos pela espera do último momento de vida do alvo, de esconder corpos longe das trilhas. E dois dias estranhando o fato de não terem enviado uma tropa inteira para aquele local. Talvez o fato de todos aqueles que vieram por este caminho não haverem regressado fez com que um medo absoluto achasse abrigo no coração dos oponentes, talvez-
Um barulho.
Aprontou-se. O barulho de várias folhas balançando continuava, o que dava-o certeza de que o alvo seria grande, ao menos. O toca-fitas já estava a tocar. Os dedos que arranhavam o violão começavam como a arranhar os tendões de seu braço direito, devido a tendinite; E o alvo mantinha-se, passos mais perto. Viu o soldado distraído com o mapa, aparentemente perdido na selva. Estranhou o fato dele estar disperso ao caminhar em tão perigosa área da floresta. Estranhou e atirou. Viu o mapa encharcar-se pelo vermelho escuro, o rubro tom de sangue. Viu a vítima cair de costas pela impacto da bala. Viu o último momento de um distraído que estava ali por amor a uma pouco importante pátria. E nada disso importava. Recarregou, ergueu-se após checar que não havia mais ninguém nos arredores, e ouvindo os dedos do violão arranhando-o, ao ver a face do soldado morto, teve um arranho no coração. Matara um garoto. Mero garoto.
-Inspirado na música "Slinger's song": http://supergiantgames.bandcamp.com/track/slingers-song
segunda-feira, 30 de julho de 2012
terça-feira, 26 de junho de 2012
E os shows do FIG devem acabar por volta das 2, 3 da manhã...
E querem transformar o planeta num planeta de família. Onde as pessoas não conhecerão mais os prazeres de ver o sol nascer após passar uma noite inteira na rua, providos da proteção de bares, pessoas e estabelecimentos em geral. Querem suprimir o prazer carnal e carnaval sentido por todos, os prazeres que podem ser encontrados nas trevas madrugadas, onde os olhares censores das morais antigas não conseguem alcançar, pois não há seu Deus lá. Pois o único deus que há nessas horas é humano, caido, machucado, esfaqueado, feio, troncho e podre.
E esse deus é carregado por todos, um pouco cada um.
É, querem transformar o mundo num comercial de protex. Num comercial de Raid, a força que protege.
E eu digo "não". Digo e repito "não". Grito, escracho, pinto, pixo, um grande "não". Apenas.
Porque há limitação numa arte criada a luz do dia, para todos verem. E não há limitação para a realidade ser vista, por baixo do luar.
Apenas.
E esse deus é carregado por todos, um pouco cada um.
É, querem transformar o mundo num comercial de protex. Num comercial de Raid, a força que protege.
E eu digo "não". Digo e repito "não". Grito, escracho, pinto, pixo, um grande "não". Apenas.
Porque há limitação numa arte criada a luz do dia, para todos verem. E não há limitação para a realidade ser vista, por baixo do luar.
Apenas.
domingo, 24 de junho de 2012
domingo, 17 de junho de 2012
sábado, 9 de junho de 2012
sábado, 5 de maio de 2012
Meio dia dum sábado, e passaram. Passaram mulheres casadas de vestido, passando um tempo com o filho e o marido embaixo das sombras das árvores, passaram os homens de carro que esqueceram os sacos de gelo ao lado de fora, passando o gelado a tanto. Passaram os cachorros encoleirados, enrolados nas pernas adoráveis de outras, e nas pernas preocupadas de outros. Passaram as lindas jovens, cheirando a juventude, e as belas mulheres, cheirando a maturidade, mal caráter e tantas outras coisas mais que necessariamente não estão no mesmo cabelo. E passou uma hora e meia.
Uma hora e meia pra eu poder comer o meu galeto.
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