terça-feira, 20 de julho de 2010

E não importam,
quantas mãos você segura,
quantos sorrisos você compartilha,
ou quantas almas você salva.

No fim, é só você.
Você, e mais ninguém.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Naqueles lábios, havia apenas uma frase escancarada
Nos punhos e nos braços, haviam mil vontades acumuladas.
Que acabaram por esfareladas, quando a memória
Acabou revelando-se uma trapaça

terça-feira, 13 de julho de 2010

Some say that "to change,
is to lose something".
But how can someone change
having only itself to lose?

domingo, 11 de julho de 2010

E de nada vão adiantar as mais tristes canções,
Sobre miséria humana, sobre corações arrebentados,
As inúmeras noites em claro,
Os inúmeros crepúsculos matutinos testemunhados,
Ou todos os copos esvaziados.

Pois ai está uma canção só tua;
Triste como um sorriso solitário,
Densa como o mar de tua alma,
E lenta, como uma balada tocada
graças a um fardo já guardado...


segunda-feira, 14 de junho de 2010

Celebração

E os dois, juntos
com aquela canção a cantar,
com nada no mundo a se importar,
botaram-se a celebrar, a berrar,
a soltar de suas gargantas vivas,
umas palavras gastas, a jardinar.

E, mais nada importava.
Exceto os dois,
exceto o amar,
e exceto as amantes,
a ir procurar.

domingo, 13 de junho de 2010

-E que se dane todo resto!!

E assim, bateu a porta, na cara do vácuo que tentava deixar pra trás. Mas à frente desse vácuo, havia o fardo. O fardo que nunca havia carregado. O fardo que já havia deixado lá trás a muito, e que, por mágica, prendeu-se a ele assim como a sua alma, e não jeito maneira. Não há whiskys, cigarros, valadas, risadas. Só o fardo, carregado, pesado, estabanado a desatinar. Mas não, não dava mais. Não havia porque carregar. Nunca havia feito-o...
Então pôs-se a caminhar. Noite fria, de neve, ruas vazias, pessoas no calor de suas casas, confortadas por abraços outrônimos, por risadas autonômas. De sozinho, só havia ele, só havia ele. Desatinada, sua alma, a fatigar de praça em praça...

Ah...

Porque você pode esquecer. Pode fingir que nada aconteceu. Mas sempre estará lá. Feito tatuagem na alma, feito neve cobrindo a rua quando cai. Lembranças. Memórias. Inútil à elas. Horrível, asqueroso, viver sem. E elas aparecem toda hora; até mesmo naquele vácuo não-preenchido dos segundos já vividos, ali haverá uma lembrança. Um memoir.