quinta-feira, 1 de agosto de 2013
9:22 AM
Ele passa as páginas da HQ, pressionando o teclado num ritmo apressado de dois "tecks" por página. Seus olhos captam e capturam apenas o estorvo, o deixado a parte das páginas, para logo mais afundar-se num mergulho insano na mente do escritor, por escolher as palavras daquelas páginas, dos desenhistas, por presentar cada folha com elementos semânticos interligados um ao outro e que ao mesmo tempo possuem identidade própria. E do letrista, o pobre infeliz sarcástico que confere um poder mágico a cada palavra escrita por suas mãos, apenas com conhecimento gráfico e formas. Os olhos interpretam as imagens certas como borradas, como gente perdida sem identidade, como uma pessoa fazendo aquelas perguntas básicas num encontro mas que não decifra a linguagem corporal da companheira, como alguém passando a mão na superfície da água,tocando-a por achar fazer um gesto gentil, quando o pequeno gesto pode fazer uma onda criadora de ressonância, e então todo o lago agitar-se num ritmo auto-destrutivo. Ele para em algumas páginas a esmo que conseguem despertar-lhe mais a atenção, olhando um novo personagem em destaque ou uma reação distinta nas páginas já tão bem conhecidas. No fim, o relógio marca 9:24 AM. Vai para a cozinha fazer um copo de leite, escreve esse texto agoniado por sair de suas mãos, e deixa o tempo espaçar-se antes de realizar a leitura.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário