No dia em que alguém apaixonado por jogos estiver triste, e ao segurar o controle largá-lo como se não aguentasse seu peso, esse alguém não continua sua própria história, até achá-la novamente.
quinta-feira, 22 de novembro de 2012
domingo, 18 de novembro de 2012
quinta-feira, 15 de novembro de 2012
quarta-feira, 24 de outubro de 2012
Não havia uma chuva mais linda que aquela.
Naturalmente, estava habituado a chuvas. Mas uma como aquela carregava todo um significado especial para ele, o significado comumente dito por várias pessoas:
"Chuvas lavam a alma".
Extasiado, tal qual sua companheira e todas as demais testemunhas silenciosas, a chuva ia caindo, manchando sua tenra roupa branca como o luar, tal qual a roupa de todos os outros presentes, e cada gota que caia nos olhos dos expectadores causava uma levíssima pertubação que passava despercebida ao portador, hipnotizado pela beleza do desabe.
A cidade, fazendo seu papel de cidade, observava a chuva silenciosa e aquém à ela, pois como cidade nunca importava-se muito com os pequenos acontecimentos maravilhosos que ocorriam em seus limites, assim como qualquer outra cidade. Tais acontecimentos eram realmente notados e apreciados por humanos, animais, seres e avatares extra-planares. Mas não as cidades. Não as construções. Ignoravam as belezas pequenas, até as naturais, e serão destruídas por elas em pleno estado de total ignora.
De alma lavada, agarrou sutilmente um pedaço de sua indumentária para limpar sua companheira. A roupa ficou marcada com a cor de vermelho sangue, a mesma que escorria silenciosamente pela sua face. Embainhou sua espada, pegou seu celular do bolso e, pelo seus lábios, soltou um sussurro "... Com gosto", apertando o botão de enviar, e largando o celular a crueldade da gravidade. Saiu andando pelo mar de corpos degolados, cujas cabeças tinham olhos abertos em êxtase, terrificados pela presença amedrontadora de seu assassino.
Finalmente saindo da barreira que erguera no local, num movimento fez desaparecer a barreira que evocara, fazendo desaparecer juntamente todo o conteúdo não habitual que havia dentro dela - decoração, altar, bancos, cadáveres e o celular, cuja mensagem enviada apenas continha o texto "Trabalho concluído".
E, tão rápido quanto fez a barreira desfalecer, desapareceu.
segunda-feira, 8 de outubro de 2012
segunda-feira, 10 de setembro de 2012
segunda-feira, 30 de julho de 2012
Atirador
Ele esperava ali, escondido nas moitas, faziam cinco dias inteiros já. Seu toca-fitas pausado, exceto nos momentos em que notava alguma movimentação, para evitar gastar suas pilhas. As quais tinha muitas, por sinal. Mas muitas ainda acabam. Guardava sua urina em garrafas que havia trazido e as esvaziava de vez em quando. Arranjava água num rio ali perto, e esse rio era o motivo de estar lá: aquela área era muito importante para permitir que os inimigos passassem por ali. E um a um, os oponentes caíam. Cinco dias. Cinco dias recarregando, mirando, esperando, apertando o gatilho, de dor nos dedos pela espera do último momento de vida do alvo, de esconder corpos longe das trilhas. E dois dias estranhando o fato de não terem enviado uma tropa inteira para aquele local. Talvez o fato de todos aqueles que vieram por este caminho não haverem regressado fez com que um medo absoluto achasse abrigo no coração dos oponentes, talvez-
Um barulho.
Aprontou-se. O barulho de várias folhas balançando continuava, o que dava-o certeza de que o alvo seria grande, ao menos. O toca-fitas já estava a tocar. Os dedos que arranhavam o violão começavam como a arranhar os tendões de seu braço direito, devido a tendinite; E o alvo mantinha-se, passos mais perto. Viu o soldado distraído com o mapa, aparentemente perdido na selva. Estranhou o fato dele estar disperso ao caminhar em tão perigosa área da floresta. Estranhou e atirou. Viu o mapa encharcar-se pelo vermelho escuro, o rubro tom de sangue. Viu a vítima cair de costas pela impacto da bala. Viu o último momento de um distraído que estava ali por amor a uma pouco importante pátria. E nada disso importava. Recarregou, ergueu-se após checar que não havia mais ninguém nos arredores, e ouvindo os dedos do violão arranhando-o, ao ver a face do soldado morto, teve um arranho no coração. Matara um garoto. Mero garoto.
-Inspirado na música "Slinger's song": http://supergiantgames.bandcamp.com/track/slingers-song
Um barulho.
Aprontou-se. O barulho de várias folhas balançando continuava, o que dava-o certeza de que o alvo seria grande, ao menos. O toca-fitas já estava a tocar. Os dedos que arranhavam o violão começavam como a arranhar os tendões de seu braço direito, devido a tendinite; E o alvo mantinha-se, passos mais perto. Viu o soldado distraído com o mapa, aparentemente perdido na selva. Estranhou o fato dele estar disperso ao caminhar em tão perigosa área da floresta. Estranhou e atirou. Viu o mapa encharcar-se pelo vermelho escuro, o rubro tom de sangue. Viu a vítima cair de costas pela impacto da bala. Viu o último momento de um distraído que estava ali por amor a uma pouco importante pátria. E nada disso importava. Recarregou, ergueu-se após checar que não havia mais ninguém nos arredores, e ouvindo os dedos do violão arranhando-o, ao ver a face do soldado morto, teve um arranho no coração. Matara um garoto. Mero garoto.
-Inspirado na música "Slinger's song": http://supergiantgames.bandcamp.com/track/slingers-song
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